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CIBERFEMINISMO, CORPOS CODIFICADOS E FUTUROS POSSÍVEIS

  Juliana de Lima Melo [1] “Não há inocência na tecnologia. Toda interface carrega uma ideologia.” — Donna Haraway, Manifesto Ciborgue (1985) (Barbarella, 1968)                   Na distopia silenciosa do nosso tempo, vozes insurgentes se erguem em meio aos ruídos do algoritmo. Vozes que não querem ser traduzidas, suavizadas, domesticadas. Vozes femininas, negras, indígenas, periféricas, queer — que se recusam a ser silenciadas pelas promessas fáceis da tecnociência e da estetização digital. Este texto é um convite a escutar essas vozes.                   Estamos cercadas por máquinas que falam, criam, recomendam, vigiam. Das assistentes virtuais como Alexa e Siri, às IAs generativas como o Google Veo ou Sora, que produzem vídeos hiper-realistas a partir de comandos de texto, as imagens do mundo estão ca...

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